“Que tenho sido, senão cigarra cantadeira e formiga diligente
desse longo estio que se chama vida...
(...) Escrevi livros e contei histórias. (...)
Foi o melhor tempo de minha vida.
Foi tão cheio e tão fértil que me fez esquecer a palavra –“estou cansada”.
Cora Coralina - ANA LINS DOS GUIMARÃES PEIXOTO BRETAS, assim se definiu nos seus 96 anos de vida. Mãe de quatro filhos e avó de 15 netos e 29 bisnetos. Mulher que deixou para nós seus ensinamentos de vida acumulados por sua experiência no trabalho como "mulher do Interior, do Campo, dos Doces e da Poesia. – Na definição de Carlos Drumond de Andrade “Cora Coralina, de Goiás” - É uma estrada.(...) E na estrada que é Cora Coralina passam o Brasil velho e o Brasil atual, passam as crianças
Ela, como todos os avós, tem muita coisa pra contar e muito a ensinar com seus exemplos poéticos e suas histórias. Ao viajar nas lembranças para trazê-las de volta, percebemos que ontem, no tempo de Cora e de seus ancestrais, sem nenhuma ajuda da tecnologia, quando essa era apenas sonho, eles não deixaram nada a desejar. Hoje, com toda a parafernália tecnológica, nada substitui os deliciosos momentos como aqueles à beira do fogão à lenha, deitados na rede ou a balançar na cadeira antiga. Até mesmo na cama a contar histórias, proporcionam aos netos uma viagem de sonhos e fantasias. Entrar no mundo deles montada em um tapete mágico, recolhê-los e ir pelo tempo com uma só certeza: sonhar é o que vale.
E para nós, avós, o Tempo, o maior e melhor Mestre da vida, nos mostra que ao Semear no mundo de nossos netos, sementes de amor, de alegria, de humildade, de solidariedade, de amizade, de perdão, de sinceridade, semeamos também sonhos e fantasias. Devemos fazê-lo sem nos preocuparmos com o tempo que gastamos para isso, sem aquela ansiedade e responsabilidade que é própria dos pais e pelas quais já passamos outrora. É exigido de nós apenas, o agora e o presente, porque dele traremos as lembranças e a aprendizagem como amadurecimento. E o futuro? Ah! Esse tempo... Que não sabemos se o viveremos... Mas isso não nos importa tanto: cabem a eles, nossos netos... Cuidar.
Se como em Eclesiastes 3,1-8, “para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer (...) tempo para plantar e tempo para colher o que foi plantado (...) tempo para a paz”, para nós, avós, não é isso o que importa? E a Sabedoria que vem através do tempo... Ah!!! Essa ninguém nos pode tirar. Assim, deixo o falar poético dessa mulher, mãe, avó e bisavó Cora Coralina a todos os avós do mundo:
“Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida.
Não desistir da luta.
Recomeçar na derrota.
Renunciar a palavras e sentimentos negativos.
Acreditar nos valores humanos. Ser otimista.
(...)
Se souberes viver, aproveitar lições, escreverás poemas.
Teus cabelos brancos serão bandeiras de paz.
E viverás na lembrança das novas gerações (...)
Sinceramente,
MARIA LÚCIA PINTO HABAEB
habaebmaria.blogspot.com
* Todo o texto foi inspirado no livro de poesias: “CORA CORALINA -
Vintém de Cobre: meias Confissões de Aninha.” 4ª edição –
Editora UFG – Goiânia – 1987.